Estranhos tempos estes em que vivemos. Moção de Censura bloquista, uma anedota. E agora, quem avança? Passos, esperas o quê? A música de intervenção voltou, cuidado. Jovens altamente qualificados desempregados. Uma juventude culta e instruída, cujo o melhor que pode ambicionar é arranjar emprego noutro país. Soma-se tudo isto e o resultado é negativamente negativo, resta saber qual é, em concreto, esse resultado. Interrogações, esta é a palavra do momento. Tudo tem de ser repensado, os partidos estão desacreditados, os políticos estão descreditados, o Estado está descreditado, a UE está desacreditada, denominador comum? Democracia. A democracia está desacreditada. Alternativas? Não há. E agora? Não sei. Pois, é isto que se passa, um impasse. Estranharei, se daqui a quinze anos tudo estiver igual, a geografia e o sistema político vão mudar, têm que mudar. Estamos a viver uma espécie de última chance concedida à política tal como hoje a conhecemos, essa chance acabará dramaticamente se a oportunidade não for bem aproveitada. Quando esse dia chegar, se chegar, a sociedade civil derrubará o Estado, que será visto como um inimigo, segue-se a anarquia temporária, até surgir um déspota tirano. Aí regredimos dois mil anos e voltamos à estaca zero. Talvez resulte. Talvez não. Seria inequivocamente melhor se tudo se endireitasse (curiosa expressão) de um modo sereno e regular. A quantidade de factores que devem ser alterados a fim de uma sociedade mais eficiente e organizada não tem conta. Desde mudar princípios constitucionais limitadores, a acabar com a corrupção da República, que se deixa infestar de comensais que vivem do Estado, e não, para o Estado. Aqueles que oferecem o seu trabalho à vida pública têm de estar conscientes que o seu papel é servir, e não ser servido. Precisamos de um país em que o seu chefe de Estado não tenha uma expressividade semelhante à da bandeira que figura no topo da sua residência oficial. Repare-se que não é uma crítica a quem lá está, mas aos poderes de quem lá está. Faz sentido que um presidente da República represente um quarto da população portuguesa? Não será antes melhor, ter um chefe de Estado que além de representar toda uma nação, não esteja subjugado a partidos políticos que condicionam todas as suas decisões a bem de um interesse comum não identificado? Tive uma ideia, um monarca. Um árbitro da decisão política, um fiscal, a voz do povo, o pai do povo. Admito plebiscitos a cada sucessão ao trono, uma inovação! Subindo à casa da democracia, que por aqui estamos resolvidos. Ouvi dizer que no parlamento há um clube de jornalistas que brinca com os interesses das pessoas e participa em manifestações aleatoriamente. Diz que este partido, desculpem, clube de jornalistas, tem um líder de uma esquerda radical, que é, estranhamente, aceite socialmente, ainda que tenha como modelo a seguir o regime da antiga união soviética. Estranho de facto. Pensei que era preciso todos os partidos defenderem a democracia como valor máximo e inviolável. Pelos vistos há excepções, mas é só à esquerda que há excepções, não é? É. Muito estranho de facto. Para mim, não é saudável que um partido, após tantas derrotas eleitorais quanto partidos houver, com assento parlamentar, se mantenha no activo. Ou se é alternativa real de Governo ou, de outra maneira, não faz sentido que existam tais eternos conformistas da derrota. Parece, também, que há outro partido da extrema esquerda na assembleia legislativa que, curiosamente, ganha sempre independentemente do resultado eleitoral que se verificou até hoje invariavelmente fraco e pouco expressivo(ainda assim com expressão a mais do que o desejável). É benéfico, na minha opinião, separar o parlamento em duas câmaras. Uma câmara alta e uma câmara baixa. A experiência associada à qualidade, a ideia da progressão, do mérito recompensado. Além do mais, esta medida resultaria numa melhor e maior produção legislativa. O estatuto de deputado seria mais elevado, e seria exigido que qualquer político tivesse pelo menos quinze anos de experiência no sector privado. Um dos pontos mais importantes nesta reestruturação do Estado português é o combate à corrupção. Medida imediata a empreender, acabar com as empresas públicas e municipais. Seguidamente uma medida transversal a toda a sociedade, reformar todo o Direito português. Defender as vítimas, condenar os criminosos. Penas mais pesadas, é importante o aspecto persuasivo e dissuasivo que a prisão incute na restante população, que cada vez perde mais os seus valores para culturas importadas e empacotadas que não são nada mais que fast food cultural. Fronteiras apertadas, Portugal não pode ser o destino favorito dos desterrados do resto do mundo. Adquirir o alto estatuto de cidadão português não pode ser tão fácil como ser sócio do ACP. Não somos a loja do cidadão da Europa. Uma Polícia mais instruída e disciplinada contribui, não só para a segurança da população como evita erros grosseiros por parte dos senhores agentes que tanto se consideram. Acabar com instrumentos de censura maquilhada como a ERC. Promover uma harmonia e uma proximidade entre todos os órgãos do Estado e a população são as linhas que marcam esta reforma social e política de que o país precisa para retomar um percurso em ascensão que se interrompeu nos longínquos tempos del Rey D. João V.
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