Seria necessário explicar porquê. Atravessava o rio, de barco. Seis da tarde, sol baixo, Lisboa iluminada. Chegado ao Terreiro do Paço parou, o barco, não ela. Essa continuou a andar, para onde? Perguntava ela. Estava a pensar, sabia lá. Às vezes é preciso andar e não pensar, neste caso era preciso pensar, o resto é acessório de sociedade. Dom José olhou-a altivo, nunca gostou dela, verdade seja dita, ou talvez fosse contrário, não sei eu, não sabia ela. Bênção triunfal, sem grandes requisitos, basta passar lá por baixo, já que ninguém lá passou, de forma triunfal claro. Passou impune à abordagem dos marginais, sorte. Continuou, para onde, meu Deus!? Estava já para os lados da Estrela quando viu um banco. Sentou-se. Passaram alguns anos e juntaram-se outros tantos a ela. Ainda hoje lá andam, se pachorra ou tempo houver, reparem, uns quantos velhos sentados num banco, na Estrela. Todos à espera do dia seguinte.
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