Ninguém sabe quem foi o Marquês de Pombal. Na Wikipédia encontrei isto: "Marquês de Pombal é também o nome da estação de metropolitano mais movimentada de Lisboa.". Salazar fez, de facto, uma imponente estátua em memória do maior estadista português. Pena que hoje nem um quinto dos frequentadores desta estação de metropolitano saibam quem foi realmente o Conde de Oeiras. Alguns devem associar o título com o terramoto de 1755. Não mais do que isso, certamente. Esta realidade não mostra respeito algum por esta personagem ímpar da nossa história. Nascido em família pertencente à pequena Nobreza, Carvalho e Melo sempre foi um homem com Mundo. Desempenhou o cargo de embaixador na Austria e em Inglaterra. Tornou-se primeiro-ministro a convite de D. José. Desde o seu governo que Portugal mudou o rumo que tomava, rumo esse que tinha como fim a auto-destruição. Vivíamos então numa profunda crise, resultado das políticas falhadas do Conde da Ericeira, da apropriação do ouro brasileiro pelos ingleses, e sobretudo devido ao mais nefasto tratado da nossa história, o tratado de Methuen. O déficit comercial português em relação aos britânicos era desastroso. Foi então que o Marquês iniciou a sua política social e económica. Recuperando os valores do mercantilismo, o Ministro de D. José incentivou a criação de companhias monopolistas, e investiu forte na indústria manufactureira. Foram célebres as Reais Fábrica das Sedas e das lãs de Portalegre. No campo das companhias monopolistas houve duas que se destacaram, a Companhia de Vinhas do Alto Douro, e todas aquelas que actuavam no Brasil, de um modo geral. Toda esta articulação económica foi levada a cabo pela recém criada Junta do Comércio, órgão fiscalizador e organizador do comércio português no séc. XVIII. Este conjunto de políticas económicas obteve grande sucesso e garantiu alguma prosperidade nas décadas vindouras. Portugal chegou mesmo a ser superavitario em relação às transacções comerciais com os ingleses. No domínio social o Marquês de Pombal tomou medidas de extrema importância para a economia. Extinguiu a distinção entre Cristãos-Novos e Cristãos-Velhos. Esta medida corrigiu o enorme erro que foi a expulsão dos Judeus de Portugal. Deve-se a esta expulsão a enorme debilidade da nossa burguesia, o que se reflectiu no atraso do sector comercial. Ao contrário de nós, a Holanda acolheu muitos judeus o que a tornou umas das maiores potências económicas e marítimas dos séculos XVII e XVIII(sobretudo na primeira metade do século XVII). Promovendo a tolerância religiosa, o Primeiro-Ministro subordinou a Inquisição à Coroa o que controlou de imediato a perseguição anti-semita que até então se verificara. O Marquês procurou promover a alta burguesia, valorizando-a socialmente o que suscitou ódios por parte da Nobreza de Sangue. A nobilitação da burguesia facilitou o acesso dos seus membros aos cargos das magistraturas, o que inevitavelmente melhorou a eficiência dos serviços do Estado. A nível da educação o Marquês de Pombal criou a Aula do Comércio, que formou diversos burgueses para melhor realizarem as suas tarefas comercias, como por exemplo a nível da contabilidade. Foi o começo do ensino técnico. Homem forte de D. José, foi sem dúvida alguma um dos maiores portugueses de sempre.


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