Caros leitores, peço-vos que comigo façam o seguinte exercício de imaginação. Certo dia numa casa perdida na província, dois indivíduos à beira de uma lareira discutiam os prós e contras do absolutismo régio no Antigo Regime. O primeiro, de seu nome Tio Patinhas, elogiava a astúcia de D. João V, um rei dedicado, astuto, prudente, um monarca de carreira e não de veraneio. O rosto da oposição era encarnado pelo Gato das Botas, feroz liberal que se dizia veemente contra a ideia da concentração de poderes num só homem. O Dr. Patinhas defendia o absolutismo com a ajuda de todos os argumentos(justificações) fundados por Bossuet, e com isto ia desarmando o pobre Gato que apesar de estar do lado da tolerância(e por isso do lado da razão) não conseguia uma contra-resposta capaz. Foi então que este último farto do deboche, não público, mas privado, partiu para a argumentação falaciosa atacando o Tio Patinhas pessoalmente, utilizando argumentos de pouca elevação chegando mesmo a utilizar algum vernáculo muito pouco agradável ao ouvido(de alguns). Patinhas estava embaraçado, porquê aquela ambição de vencer o outro sem argumentos para tal? E tomou a decisão certa, deu por encerrada a discussão, pois o Botas estava cego pela raiva. De repente no meio daquele silêncio constrangedor, alguém bate a porta, quem seria aquela hora naquele sítio? O Gato das Botas levanta-se, ainda com restos de cólera às voltas no seu pensamento, e abre a porta. Foi então que entra pela casa a dentro, nem mais nem menos do que José Sócrates. O coração do simples Patinhas parou por instantes, e mal recuperou do susto pôs-se a caminho doutro qualquer lugar no mundo. Enfim dogmatismos...
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